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Os "milhões de motivos" para Lula indicar o próximo CEO da Vale

Lula quer emplacar Guido Mantega - que chegou a ser preso em 2016 - como diretor da mineradora


Guido Mantega - Agência Brasil/EBC


Dizem que o brasileiro não tem memória. Se a afirmação for realmente verdade, nunca é tarde para relembrar alguns dos motivos que ocasionaram o desastre de Brumadinho em 25 de janeiro de 2019. A origem da tragédia, que levou à morte 270 pessoas na região operada pela mineradora Vale, aconteceu, de fato, em dezembro de 2017. 


Naquele final de ano, o secretário de Meio Ambiente de Minas Gerais, Germano Luiz Gomes Vieira, recebeu sinal verde do governador petista, Fernando Pimentel, para  alterar os critérios de risco de algumas barragens operadas pela Vale. O resultado da medida irresponsável da gestão Pimentel - foi o mortal rompimento da  Mina de Córrego do Feijão.


No aniversário de 5 anos do desastre ambiental e humano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu atacar a Vale para justificar sua mais nova campanha. Em postagem na rede social X, o mandatário acusou a empresa privatizada em 1997 “de não ter feito nada” para abrandar as perdas. Sem mencionar, claro, a responsabilidade do governador de Minas Gerais que antecedeu o evento.


“Hoje faz cinco anos do crime que deixou Brumadinho debaixo de lama, tirando vidas e destruindo o meio ambiente. Cinco anos e a Vale nada fez para reparar a destruição causada”, reclamou Lula.


A reclamação de Lula foi calculada. Após atuar nos bastidores para emplacar o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, como conselheiro da Vale, o presidente não tem medido esforços para que o "Italiano 2" (codinome de Mantega nas planilhas de prorina da Lava Jato) assuma a direção da companhia - ainda que o governo federal conte atualmente com apenas 8,6% de ações da companhia por meio do Previ - o plano de previdência social do Banco do Brasil.


Além de usar o ataque como a melhor defesa para infiltrar Mantega numa companhia que é a segunda maior do mundo no ramo de mineração desde 2006, outra "falha" de Lula foi ter omitido o trabalho da Vale para indenizar os familiares de vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho.


O próprio site da Agência Brasil - um braço do governo federal - descreve o que a mineradora fez nos últimos cinco anos para tentar sanar as perdas humanas. Desde 2019, 20.806 acordos que somam o pagamento de R$ 1,3 bilhão foram destinados aos sobreviventes da tragédia. Os valores direcionados às famílias ainda contam com indenizações trabalhistas já quitadas.


Cargo de CEO da Vale: salário de quase R$ 5 milhões por mês


Eduardo Bartolomeo -Linkedin


Enquanto a Vale não anuncia o nome do substituto para o cargo de CEO - atualmente ocupado por Eduardo Bartolomeo - a mineradora tem acumulado fortes perdas em valor de mercado. O principal motivo é a insistência da intervenção estatal. Após Lula “chorar” a respeito do papel da mineradora sobre Brumadinho, a empresa perdeu mais de R$ 8,5 bilhões, chegando a cair para  R$ 300 bilhões em 11 de janeiro. 


Enquanto amarga derrotas - influenciadas ainda pela desvalorização da demanda por ferro da China - Lula incumbiu o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, a ligar para os acionistas e convencer a aprovar Guido Mantega para a função.


Motivos - sejam políticos ou financeiros - existem de sobra.  Atualmente, a remuneração anual de um CEO da Vale é  de R$ 59 milhões - o que gera uma remuneração mensal de R$ 4,9 milhões, mas essa não é a base fundamental para a tentativa de inserção do "italiano 2" na estrutura de comando da empresa.


O prazo para a Vale definir o substituto no comando da companhia termina em 30 de janeiro.


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