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Mercado especula sobre triunfo da direita argentina

Javier Milei já adiantou que cortará ministérios, reduzirá funcionalismo e estuda dolarizar o peso

Analistas do mercado financeiro brasileiro estão de olhos bem abertos nos próximos passos da eleição presidencial da Argentina. Após notável resultado nas Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias (PASO), com 30% dos votos conquistados por Javier Milei da chapa La Libertad Avanza, pesquisas indicam que o candidato libertário permanece na frente nos prognósticos do primeiro turno, marcado para 22 de outubro.


Em levantamento feito pelo Bradesco, Milei aparece como atual favorito, seguido por Patricia Bullrich (Coligação Juntos por el Cambio) e o atual ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa (Unión por la Patria), que corre bem por fora. Com este cenário, os economistas tentam apurar se as promessas de desburocratização e desestatização prometidas por Javier Milei poderão realmente ser efetivadas.


Porém, como um bom tango, há de se observar o panorama e ambiente que Milei se encontra atualmente. Assim como nas eleições brasileiras, a imprensa tradicional (internacional e local) dissemina desconfiança sobre a capacidade do candidato de superar o desastre econômico marcado por hiperinflação e maxidesvalorização do peso do governo kirchnerista de Alberto Fernández para desestabilizar as aspirações da direita.


Um exemplo claro ficou para o destaque para a fala do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador. A exemplo de Jair Bolsonaro, Obrador comparou Milei a Adolf Hitler, e sua ascensão após um período de inflação e crise na Alemanha.


Em seu discurso, Javier Milei tem como principal proposta enxugar a máquina pública. Enquanto a extinção do Banco Central parece ser um sonho distante, a linha de atuação do único real candidato da direita argentina é reduzir drasticamente o número de ministérios - incluindo o de educação, o qual Milei classificou como “doutrinador”.


Além do corte do funcionalismo público (caminho exatamente oposto ao tomado pelo governo Lula), Javier Milei já avisou que trabalhará junto ao Congresso para iniciar um processo de privatização das estatais.


Embora o ambiente que cerca as eleições esteja carregado de ideologia, a desvalorização do peso parece ser um caminho sem volta, independente de quem chegar à Casa Rosada.


No caso da política monetária, Milei pretende oficializar o que, de fato, já é uma realidade: a dolarização da moeda argentina. Caso seja concretizada, a adoção oficial do dólar deve decretar formalmente o fim do Banco Central argentino, já que as decisões monetárias ficariam sob o comando do Federal Reserve (o banco central dos EUA).


Em 2000, após profunda crise econômica, o governo do Equador decidiu abraçar o dólar, com resultados satisfatórios.


Ainda sobre a economia, há sinais de que Javier Milei desperta confiança internacional. No recente acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), até mesmo Sergio Massa elogiou a intervenção de seu adversário junto à direção da entidade. O resultado foi a liberação imediata de US$ 7,5 bilhões em um crédito que exige como contrapartida controle da dívida pública e economia das reservas.

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