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Mas para que servem as Forças Armadas (FA)?


Desde a chamada redemocratização do Brasil e o fim da Guerra Fria, essa pergunta tem sido recorrente.


Sem esgotar o assunto, vamos procurar focar na Força Terrestre.


Somos um país continental em tamanho e diversidade, com 17 mil Km de fronteira terrestre, com as FA possuindo poder de polícia em um faixa de 150 Km a partir da linha de fronteira para atuar contra crimes transfronteiriços e ambientais. Dos 5.570, são 588 municípios aí inseridos nessa faixa de fronteira, arco terrestre que se estende do Amapá ao Rio Grande do Sul.


Nossos vizinhos não apresentam qualquer interesse expansionista (a questão do crime organizado é uma verdadeira guerra e merece uma abordagem a parte), além de não terem qualquer estrutura física (e mesmo econômica) para ameaçar, isoladamente, o gigante regional chamado Brasil.


Na defesa da pátria, são disponibilizados poucos recursos há décadas, com a capacidade operacional cada vez mais reduzida. Basta ver o percentual do PIB alocado anualmente à expressão militar do Poder Nacional. De acordo com o Ministério da Defesa, o Brasil investe 1,1% de seu PIB para equipar e manter o aparato de suas FA, ficando atrás da Colômbia (3%), Equador (2,4%), Uruguai (2,2%), Chile (1,9%) e Bolívia (1,5%).


Nesse contexto, só resta priorizar “ilhas de modernidade”, com poucos equipamentos e tecnologias que até dão um suspiro de alegria e esperança. Um belo exemplo é a artilharia de mísseis e foguetes representada pelo material ASTROS da Avibras, empresa brasileira que até já teve o seu ápice no final do século passado.


Nas ações constitucionais de Garantia da Lei e da Ordem, tais como intervenções na segurança pública, em varreduras em presídios e em garantia de fluxo em rodovias, essas são legalmente esporádicas e delimitadas no tempo e no espaço. São meramente medidas paliativas que, ao se encerrarem, se observa o retorno ao status quo anterior.


Basta se estudar a tão falada intervenção no Rio de Janeiro (2018), que trouxe significativos benefícios imediatos e pontuais, mas nada duradouros.


Nas participações internacionais sob a égide de organismos como ONU e OEA, desde os anos 1950 até os dias atuais, o Brasil tem enviado observadores e tropas e é considerado referência de sucesso internacionalmente. A missão de paz no Haiti, por 13 anos, é o principal exemplo.


Nas ações subsidiárias, como obras de engenharia, apoio ao enfrentamento de calamidades e distribuição de água e alimentos quando necessário, essas ações são efetivamente reconhecidas por toda a sociedade. Nesse contexto, pode-se incluir a destacada Operação Acolhida, desenvolvida em Roraima e com a finalidade de recepcionar refugiados venezuelanos e interiorizar os voluntários para diversas partes do território nacional, impedindo um colapso geral naquele isolado estado da federação.


Voltando à pergunta, fica como possibilidade de resposta uma urgente necessidade de transformação das FA, com ações estruturantes e sem velhas e novas paixões (positivas ou negativas), adequando-as a uma necessidade que vai muito além do último grande conflito mundial, encerrado em 1945.


Transformar não deve ser entendido como modernizar, e isso exige investimentos.

Vejamos por exemplo a capacidade blindada da Força Terrestre; se os veículos sobre rodas estão ganhando novas capacidades operacionais nas tropas mecanizadas com a família Guarani (veículos 4x4, 6x6 e 8x8), os meios sobre lagartas contam com um veículo cujo ciclo de vida, mesmo que seja modernizado, terá vida útil de pouco mais de uma década, e sem agregar novas capacidades operacionais ao poder de combate. O mesmo vale para o apoio de fogo e para a defesa antiaérea.


Transformar sim para que as FA possam minimamente acompanhar a evolução da atual guerra na Ucrânia e a obscura “Nova Guerra Fria EUA x China”, que já afeta a geopolítica mundial com maior ênfase política, econômica e social, e não mais tão militar; sem contar o atual conflito em Gaza, fruto de uma ação terrorista brutal e cruel executada contra civis em um momento de lazer.


Transformar sim para que as FA possam defender o maior patrimônio mundial que se encontra em nosso território: a Amazônia Brasileira, com suas riquezas inimagináveis numa área gigantesca e verdadeiramente abandonada pelo poder público federal há séculos.

Transformar sim para que, quando e se acionadas pelas autoridades competentes, as FA possam atuar com poder de polícia em qualquer parte do gigantesco território nacional, considerando o esgotamento das Forças de Segurança locais.


Transformar sim para que as FA possam continuar participando ativamente de missões internacionais e do desenvolvimento nacional, engrandecendo o nome do Brasil no cenário internacional e levando apoio à sociedade brasileira quando esta necessitar da mão amiga para socorrê-la.


Transformar sim para que, a semelhança de vários momentos históricos já ocorridos mundo afora, as FA sejam vetores de tecnologia e inovação como indutores de novas capacidades duais para o meio civil, gerando empregos e prosperidade, sempre adequados ao arcabouço legal vigente.


Transformar sim mesmo com todas as dificuldades que vivemos no atual momento político, econômico e social.


Nesse contexto, há de se registrar a excelência de seus recursos humanos, seja na formação, seja na capacitação, o que sempre foi, é e será motivo de orgulho ostentar a Bandeira do Brasil nos seus uniformes.


Que fique então a seguinte ideia-força: “Sempre haverá necessidade de uma Nação contar com Forças Armadas que garantam a sua sobrevivência e até mesmo a sua dignidade. Isso até pode ser chamado de SOBERANIA”.


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