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Guiana pode acumular crescimento de quase 100% em apenas 2 anos

Boom da commodity no país sul-americano deve persistir, apesar da agenda climática

Apesar das campanhas encabeçadas pela Agenda 2030 da ONU direcionadas contra os combustíveis fósseis, o petróleo voltou a dar esperança econômica à pequena Guiana britânica - país da América do Sul que faz fronteira com Brasil e Venezuela, e que no ano passado viu seu Produto Interno Bruto disparar em razão das descobertas de poços de petróleo em seu território.


O crescimento da produção tem sido contínuo desde 2015, quando a ExxonMobil começou a explorar o petróleo em abundância na região. A extração da commodity levou o PIB da Guiana a crescer incríveis 66% em 2022, e o Fundo Monetário Internacional estima nova guinada em 2023, embora menor, atingindo entre 37% e 38%.


O efeito da exploração petrolífera na Guiana tem sido decisivo para o desenvolvimento social do país, que tem acumulado melhorias de emprego e renda desde 2015. Para efeito comparativo, a renda per capita há 18 anos era de aproximadamente R$ 55 mil. Já a previsão para 2023 é que o país encerre o ciclo com cerca de R$ 300 mil.


Ainda que o petróleo tenha causado uma transformação real na Guiana, o governo federal teme que os efeitos do Acordo de Paris possam impedir que a produção se desenvolva ainda mais. Ainda há outros obstáculos. O país ainda trava uma disputa territorial com a Venezuela - um caso que, curiosamente, tramita desde 2019 no Tribunal Internacional de Justiça.


O acordo com a empresa petrolífera Exxon, segundo lideranças no governo, “também deixou um pouco a desejar”.


De acordo com dados da agência nacional de petróleo da Guiana, o país conta hoje com uma reserva de 11 bilhões de barris - e com ótima possibilidade de crescimento - apesar da vigilância globalista que etá de olho no desenvolvimento dos emergentes.


O presidente da Guiana, Irfaan Ali, declarou que "o tempo não está a nosso favor" ao falar sobre a luta do país sul-americano para aproveitar ao máximo a sua recém-descoberta riqueza petrolífera antes que seja muito tarde.


Na década anterior, a Guiana encontrou significativas quantidades de petróleo e gás nas suas águas costeiras.


O país possui reservas certificadas em torno de 11 bilhões de barris. Essa condição confere a Guiana a 20ª posição em termos de potencial de produção, categoria onde estão incluídos países como a Noruega, Brasil e Argélia.


Desde que a ExxonMobil descobriu vastas reservas de petróleo na costa da Guiana em 2015, líderes do governo prometeram que o ouro negro transformaria a sorte de um dos países mais pobres da América do Sul.


Só neste ano, a economia da Guiana deve crescer 48%, a taxa mais rápida do planeta, segundo o Banco Mundial. Mas mal administrados, alertam especialistas em desenvolvimento e diplomatas, esses recursos alimentarão a política superaquecida e baseada em raças da Guiana, ao mesmo tempo em que adicionarão o país a uma longa lista de "petroestados" cuja população permaneceu pobre apesar da vasta riqueza de recursos.


Em maio, o governo da Guiana anunciou que havia usado pela primeira vez o fundo soberano que detém os royalties pagos pelos produtores de petróleo. Até o final do ano, os saques ultrapassarão US$ 600 milhões, um número que em breve chegará aos bilhões.


Até 2027, a Exxon e seus parceiros, a Hess e a chinesa CNOOC, pretendem bombear 1,2 milhão de barris por dia do fundo do mar da Guiana, tornando o país de longe o maior produtor per capita do mundo.


"Prepare-se para um fluxo maciço de receita ao governo com pouca experiência em como lidar com isso", escreveram analistas da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional em um relatório divulgado no início deste ano.


Há grandes expectativas de setores econômicos, da classe política e dos cidadãos, que essa realidade do “ouro negro” sustente um desenvolvimento onde haja significativa melhora das condições sociais da população. A expectativa da população, que hoje atinge 790 mil habitantes, está centrada em melhoras na educação e na infraestrutura.


"Nosso compromisso como governo é garantir que as oportunidades sejam reais em todo o país, independentemente de onde se vive, independentemente de em quem alguém tenha votado", disse o ministro das Finanças da Guiana, Ashni Singh, em entrevista.


Mas muitas comunidades, particularmente em áreas associadas à oposição afro-guianesa, estão céticas. Alguns reclamam que dinheiro e contratos já estão fluindo para apoiadores do governo e alegam que o partido no poder está instalando aliados em órgãos destinados a governar as novas riquezas da nação - alegações que os líderes da Guiana negam.


"O que eles estão tentando fazer é usar o petróleo para patrocínio político", disse Aubrey Norton, legislador federal e chefe da oposição. "Não há visão".

CRÉDITOS (Imagem): Shutterstock

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