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Ferrogrão: a saga da ferrovia que pode alavancar o agronegócio brasileiro

Idealizada há mais de uma década, a Ferrogrão tem encontrado barreiras no próprio governo Lula para ser finalizada


Ferrogrão: solução para o gargalo das exportações de grãos

A falta de mobilidade estratégica para as operações logísticas do agronegócio ainda é o maior gargalo enfrentado pelo Brasil, quando o tema é infraestrutura. Se depender do governo Lula, esse problema ainda deverá se arrastar por um bom tempo. O maior exemplo é o entrave nas obras de construção dos 933 quilômetros da ferrovia EF-170 - mais conhecida como o Ferrogrão.


Destinada a escoar a produção de grãos do Mato Grosso até o Pará, na região Amazônica, a linha que poderia ampliar de forma exponencial as exportações têm sido alvo constante de ações no Supremo Tribunal Federal movidas por um dos braços "armados", contra o agranegócio, no governo Lula: o PSOL.


O mais recente obstáculo encontrado pela Ferrogrão foi a prorrogação por mais 180 dias da atuação do grupo de trabalho criado pelo Ministério dos Transportes em outubro de 2023 para discutir a continuidade das obras.


Isso porque, após caminhar nas gestões de Michel Temer (2016-2018) e Jair Bolsonaro (2019-2022), os trabalhos foram interrompidos durante a pandemia de covid-19 por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.


Ele atendeu à reivindicação do PSOL, que questionou os termos da Medida Provisória 758/2016. Segundo o partido, que tem baixissíma representação no Congresso Nacional, a construção da ferrovia irá reduzir em 466 hectares o Parque do Jamanxim, atingindo “áreas de preservação ambiental”. A decisão de Moraes ganhou apoio da Advocacia-Geral da União, que se mostrou contra o desenvolvimento da economia, via agronegócio, na região.


Governo aproveita passagem de Macron para boicotar Ferrogrão



Durante a visita de Emmanuel Macron em abril à Amazônia, o líder indígena Raoni Metuktire aproveitou a passagem do presidente da França para pedir o cancelamento da construção da Ferrogrão.


“Presidente Lula, me escute. Eu subi com você a rampa do Palácio do Planalto, na posse e eu quero pedir que vocês não aprovem o projeto de construção da ferrovia Sinop, mais conhecida como Ferrogrão”, clamou Raoni.


O pedido do cacique foi respondido imediatamente por Lula, que ainda ressaltou a “carência” do atual contingente de terras destinadas aos indígenas. Atualmente, uma população de menos de 1,7 milhão ocupam 14% do território nacional - ou 1,1 milhão de km²


“Os conservadores, os latifundiários brasileiros costumam dizer que o povo indígena já tem muita terra no Brasil, já tem 14% do território demarcado (…) 14% é pouco diante do que eles precisam ter para manter seu jeito de viver”, reclamou Lula.


A resposta contra as ações que lutam contra a conclusão da Ferrogrão - e contra o progresso econômico nacional veio de inúmeras instituições que trabalham a favor do país.


A Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja) - entidade que já foi comandada, inclusive, pelo atual ministro da Agricultura de Lula, Carlos Fávaro - esclareceu diversos pontos que cercam a conclusão das obras, inclusive do ponto de vista sustentável para o meio ambiente.


“A Ferrogrão é muito importante para o Pará e para o Mato Grosso. Sua construção irá gerar cerca de 373 mil empregos diretos e indiretos e reduzir em 800 mil toneladas por ano a quantidade de CO² que hoje é gerada pelo transporte rodoviário”, destaca Vanderlei Ataídes, que preside a unidade da Aprosoja do Pará. O dirigente apontou ainda que cerca de 160 vagões de trem que circulariam pela Ferrogrão podem substituir o trabalho de 400 caminhões que usam as rodovias próximas à região.


Por sua vez, o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso, Fernando Cadore, afirmou que a inauguração da Ferrogrão “não se trata de uma questão ideológica, mas do desenvolvimento do Brasil”.


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