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Ex-funcionário do governo chinês quebra o silêncio sobre crise no mercado imobiliário

Com pelo menos 648 milhões de m² abandonados, construção civil sofre com calote e fluxo de caixa, e deve influenciar diretamente o Brasil

Crédito da imagem: China Evergrande


Em abril deste ano, Lula voltou da China orgulhoso com o anúncio de 15 acordos comerciais fechados com o ditador Xi Jinping.


A informação foi amplamente divulgada pelos canais da mídia estatal brasileira, pontuando os benefícios de novos contratos com a segunda maior potência comercial do Planeta.


Entre eles, alguns bastante indefinidos, como o da Cooperação para o Desenvolvimento Rural e Social no Combate à Pobreza.


Quase 6 meses após o encontro entre os parceiros comerciais, o cenário econômico no gigante Asiático não traz o mesmo otimismo propagado pelo governo petista.


Com a derrocada do setor imobiliário, agravado pelas companhias China Evergrande Group e Country Garden Holdings, o Brasil não deve escapar dos efeitos da retração chinesa.


"Nem todos os habitantes da China ocupariam as construções abandonadas"


As informações chegam de fonte segura e quente: um ex-funcionário do governo comunista, que arriscou abrir detalhes sobre os enormes problemas da construção civil em seu país.

Segundo He Keng, que atuava no Departamento de Estatísticas da China, o total da área abandonada - onde estariam prontos hoje, condomínios de luxo, prédios e casas - ultrapassou a marca de 648 milhões de metros quadrados.


Para ilustrar a situação, Keng arriscou um prognóstico ainda mais sombrio. Pelos seus cálculos, nem mesmo se os quase 1.5 bilhão de habitantes do país comprassem os imóveis eles conseguiriam ocupar todas as unidades que permanecem à espera de acabamento - ou de total demolição.


Outro fator problemático sobre a crise imobiliária são os casos das compras já efetuadas. Além das residências que não encontram interessados, há condomínios e casas já adquiridos que não foram entregues por falta de recursos financeiros. Somente a Country Garden acumula cerca de R$ 920 milhões em dívidas.


Reflexos diretos no Brasil


Desde 2021, o minério de ferro tem perdido seu valor de mercado, e hoje está em torno de US$ 120 por tonelada. A commodity, vale destacar, é um dos produtos mais exportados pelo Brasil, justamente para atender à gigante demanda do mercado chinês.


Com o congelamento quase total das atividades da construção civil no país comunista, as perspectivas apontam para um corte significativo nos embarques.

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil vendeu para a China cerca de US$ 35 bilhões somente em 2022 - número que representou 63% do total de exportações da commodity no ano passado.




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