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Entenda déficit primário e os efeitos de disputa interna do governo

Como instabilidade no Executivo afeta a vida econômica do cidadão

Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil


O presidente da República Luís Inácio Lula da Silva, causou comoção junto ao mercado na última semana, após declarar que seu governo não pretende mais zerar o rombo do déficit nas contas públicas do país, como era previsto pela proposta do novo arcabouço fiscal para 2024.

A fala desautorizou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que há meses vem tentando equilibrar o discurso a fim de não prejudicar a saga dos projetos econômicos do próprio governo no Congresso Nacional junto ao mercado. Seus esforços ou disfarces simplesmente foram por água abaixo, tendo em vista que embora o mercado já previsse a mudança, não se esperava que viesse tão antes do início do ano em questão.


Contrário à promessa de redução, o presidente Lula abordou a previsão de um crescimento de 0,5% da dívida como se fosse "nada", e assim, revelou também falta de alinhamento entre o presidente e a equipe econômica.


O motivo da divergência interna é o resultado primário, que consiste na diferença entre o que o governo gasta e o que arrecada no ano, exceto receitas e despesas financeira, como os gastos com os juros da dívida pública.


O governo tem registrado déficits primários todos os anos desde 2014, com exceção do ano passado (2022), mediante a boa administração e controle das contas públicas realizadas pelo governo Bolsonaro. A sequência de despesas acima da arrecadação ao longo dos anos gerou um crescimento da dívida pública nacional, o que força o governo a emitir mais títulos da dívida para cobrir as despesas, o que causa inevitavelmente um crescimento nos juros do país, tendo em vista o maior risco ao investidor que adquire parte da dívida.


Quanto mais altos os juros, mais caro e escasso se torna o crédito liberado ao empresário, e consequentemente, menor o investimento e expansão do setor empresarial, findando em menor desenvolvimento ao país. Hoje, a dívida pública brasileira corresponde a 74% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e deverá fechar o ano com um acréscimo de R$ 141,4 bilhões a mais de déficit, o que representa 1,3% do PIB.


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