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E o Brasil perde (ou mata) mais um “cavalo encilhado”


O agitado tabuleiro geopolítico mundial segue a todo vapor (volátil, incerto, complexo e ambíguo), com ações e atores dispersos por todo o planeta mexendo as suas peças na incessante busca de vantagens diversas.


Deixando a visão macro e tentando entrar no nosso Brasil, fica evidente uma alienação quase que grosseira para tudo o que se passa ao nosso redor.


Sem esgotar o assunto, vamos navegar nas cinco expressões do poder, que procuram sintetizar aquilo que somos nos dias de hoje.


Na política interna, vivemos numa república instável desde 1889. Atualmente, a polarização “situação versus oposição”, que deveria ter sido abrandada com o início do novo governo (2023), segue de vento em popa. A tão sonhada harmonia entre os três Poderes caminha na corda bamba, prestes a cair para algum lado. E como se não bastasse, em outubro deste ano teremos eleições municipais que já tomam o protagonismo nacional.


Na política externa, o histórico e reconhecido pragmatismo brasileiro nos mais variados fóruns está abandonado. Palavras e ações infelizes da nossa valorosa diplomacia no seu mais alto nível levam o Brasil a um posicionamento no mínimo preocupante, lembrando que entre nações não há amizades, e sim interesses.


Na área econômica, as despesas seguem aumentando e a busca por novas receitas permanece no imaginário. Como dizia a minha avó, “essa conta não vai fechar”.


No social, não há qualquer menção que mereça destaque, e seguimos ladeira abaixo. A saúde continua caótica, com mais uma pandemia (agora a dengue) sem precedentes assolando de norte a sul o nosso já sofrido povo; a educação permanece pífia, com escolas de samba mais valorizadas do que escolas públicas; e a infraestrutura agoniza com carências básicas que afetam diretamente toda sociedade.


No campo científico-tecnológico, sem investimentos, estamos muito longe de apresentar qualquer exemplo que transmita o mínimo de orgulho de ser brasileiro.


Na segurança pública, o crime organizado permanece se expandindo por todo território nacional, par e passo com os crescentes índices de violência, que colocam 17 cidades brasileiras (maioria no Nordeste) no infeliz rol das 50 cidades mais violentas do mundo.


Na área de defesa nacional, as Forças Armadas observam uma permanente obsolescência de seus meios a cada dia que passa. Projetos estratégicos não avançam por parcos recursos e principalmente pela falta de previsibilidade orçamentária, e olha que praticamente todos esses projetos possuem um viés de aplicabilidade dual (tanto para a área militar como para a área civil). Que bom que os seus recursos humanos têm mantido um elevado nível de formação e capacitação, que seguem reconhecidos por países parceiros. E que não se mexa nesse capital humano. Ah, a história nos mostra que, passada a etapa diplomática sem sucesso, a guerra não é decidida com “flores brancas e pombinhas da paz”.


Mas onde entra o tal “cavalo encilhado” ?


São nos momentos mais difíceis que aparecem as grandes oportunidades.


As tensões mundiais já superaram há tempos o setor militar; embargos políticos e econômicos são cada vez mais ativos, influenciando diretamente a rotina da população mundial em suas necessidades mais básicas, sem contar com a incansável busca de alternativas mais modernas e baseadas em tecnologia e inovação.


O Brasil é um país de dimensões continentais, com riquezas inimagináveis em terra e mar, livre de catástrofes naturais e com um povo inteligente e extremamente adaptável. Com um mínimo de bom senso e sem paixões, se o nosso País procurasse atenuar os seus imbróglios atuais (e até históricos), não seria difícil consolidar a sua liderança regional e até quem sabe aspirar algo de destaque no cenário mundial.


Mas fica apenas o sonho e a esperança; e a oportunidade passando ao largo... e oxalá que não se mate mais um “cavalo encilhado”...


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