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Discurso de Lula na ONU mistura Agenda 2030, Revolução Cubana e ataques ao neoliberalismo

Presidente atacou empreendedorismo, pediu mais dinheiro para "conter desmatamento" e defendeu o regime de Fidel Castro

Crédito da imagem: ONU


O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na abertura da 78ª Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira, em Nova York, atendeu basicamente o desejo de países globalistas - adeptos de primeira hora à Agenda 2030 e aos seus antigos parceiros socialistas, como Venezuela, Cuba e China.


Durante cerca de 60 minutos, Lula quis comprovar aos líderes dos países-membros, que o Brasil está disposto a atender (ou pelo menos, se dispor a fazer) às demandas da ONU contra "as mudanças climáticas", e aproveitar o ensejo para pedir um aumento de recursos no Fundo Amazônia.


Nesse interim, Lula atacou indiretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e a direita, os classificando como "aventureiros neoliberais". Em contrapartida, o petista criticou injustiças contra países que sofrem sanções econômicas como Rússia e Cuba.


Já como solução ao "vilão" neoliberal", o presidente requentou antigas promessas e afirmou que o Bolsa Família - que recentemente perdeu milhões de beneficiários - seria uma das soluções para o "combate à desigualdade".


Rio Grande do Sul é finalmente lembrado


Logo no início da Assembleia, Lula se lembrou de comentar sobre as enchentes que arrasaram mais de 90 municípios no Rio Grande do Sul, mas sem citar que sequer apareceu para confortar as famílias que perderam bens e entes queridos. A citação foi um gancho para aproveitar o desejo da ONU em ouvir falar sobre o combate às mudanças climáticas.


“Desejo igualmente expressar minhas condolências às vítimas do terremoto no Marrocos e das tempestades que atingiram a Líbia. A exemplo do que ocorreu recentemente no estado do Rio Grande do Sul no meu país, essas tragédias ceifam vidas e causam perdas irreparáveis”, lamentou.


Abraçando a Agenda 2030


Ao citar a Agenda 2030 da ONU no começo de seu discurso, Lula garantiu os aplausos necessários para chegar até o fim do evento sem grandes obstáculos. A Agenda 2030, vale lembrar, coloca em xeque o agronegócio e a própria segurança alimentar do Planeta.


“A mais ampla e mais ambiciosa ação coletiva da ONU voltada para o desenvolvimento – a Agenda 2030 – pode se transformar no seu maior fracasso. No Brasil, estamos comprometidos a implementar todos os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável, de maneira integrada e indivisível”, prometeu.


Na sequência, foi a vez de exaltar - de forma requentada - o Bolsa Família, e o "combate à desigualdade".


“Lançamos o plano Brasil sem Fome, que vai reunir uma série de iniciativas para reduzir a pobreza e a insegurança alimentar. Entre elas, está o Bolsa Família, que se tornou referência mundial em programas de transferência de renda”.


Fundo Amazônia "mais gordo"


Crédito da imagem: Agência Brasil/EBC


Sem perder tempo, depois de apontar o dedo para os países ricos como os culpados pelas alterações climáticas, Lula disse que os recursos atuais do Fundo Amazônia (doações feitas para ajudar a combater o desmatamento) não eram mais suficientes. Ao mesmo tempo, o petista afirmou que nos 8 meses de seu governo ele conseguiu reduzir as queimadas na região em 66%. O comentário, entretanto, omitiu a situação do Cerrado, que tem sido mais atacado que a Amazônia.


“A promessa de destinar 100 bilhões de dólares anualmente para os países em desenvolvimento permanece apenas isso, uma promessa e modelo. Hoje esse valor seria insuficiente para uma demanda que já chega à casa dos trilhões de dólares”, comparou.


Depois do apelo por mais dinheiro, Lula decidiu bater no FMI e na política econômica neoliberal de Bolsonaro (sem citar nomes). A cereja do bolo foi a defesa - ainda que breve - à liberdade de imprensa - algo bastante duvidoso no Brasil atual.

“No ano passado, o FMI disponibilizou 160 bilhões de dólares em direitos especiais de saque para países europeus, e apenas 34 bilhões para países africanos”, comparou. "O BRICS surgiu na esteira desse imobilismo, e constitui uma plataforma estratégica para promover a cooperação entre países emergentes", completou.


Lula x Apps de transporte


A maior novidade no discurso de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na 78ª Assembleia da ONU talvez tenha sido o ataque indireto aos aplicativos de transporte - a Uber, em especial. Não é segredo que o governo federal deseja regulamentar e extrair das empresas impostos para fechar sua conta de "déficit zero". Desta forma, Lula mirou nas Big Techs e acertou por tabela os motoristas por aplicativos.


“Aplicativos e plataformas não devem abolir as leis trabalhistas pelas quais tanto lutamos. Ao assumir a presidência do G20 em dezembro próximo, não mediremos esforços para colocar no centro da agenda internacional o combate às desigualdades em todas as suas dimensões”, prometeu.


Depois de passear brevemente pela "paz no mundo" (Lula sonha há tempos com o Nobel), o presidente reforçou a ideia de que Cuba sofre "embargos injustos" em sua economia. De fato, o país caribenho é um eterno descumpridor dos direitos humanos incluídos na própria cartilha da ONU. O fim de um discurso novo, mas com cheiro de mofo.


"As sanções unilaterais causam grande prejuízos à população dos países afetados. O Brasil seguirá denunciando medidas tomadas sem amparo na Carta da ONU, como o embargo econômico e financeiro imposto a Cuba e a tentativa de classificar esse país como Estado patrocinador de terrorismo", finalizou.



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