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Corinthians e Lula: o que estaria por trás do ambicioso acordo com a Caixa?

Após suposta intervenção de Lula, presidente da Caixa Econômica Federal teria dado o sinal verde ao clube para quitar dívida do estádio


Duílio Monteiro Alves e Lula - S.C. Corinthians Paulista


No próximo sábado, 25 de novembro, o Sport Club Corinthians Paulista decidirá o seu futuro pelos próximos três anos. As eleições para a presidência da agremiação fundada em 1910 são abertas apenas para os cerca de 16 mil sócios que frequentam o clube social, localizado no bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo.


Por ter a segunda torcida mais numerosa do Brasil, o evento já seria cercado de polêmica e do costumeiro tumulto entre as chapas que brigaram pelo direito de conduzir o Corinthians até 2025.


Porém, o anúncio de que a Caixa Econômica Federal teria dado sua “benção” para a quitação da enorme dívida pendente à Neo Química Arena em pleno domingo (19) - e a menos de uma semana das eleições internas - colocou ainda mais gasolina no fogo dos bastidores do time, que tem ligações diretas com o presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


Arena Corinthians e Lava Jato: histórico de uma dívida bilionária


Odebrecht - arquivo


Em 2013, um ano antes da inauguração do “sonhado estádio”, o Sport Club Corinthians Paulista contraiu uma dívida reportada de R$ 400 milhões com a Caixa Econômica Federal.


O débito, segundo a diretoria alvinegra, seria quitado por meio do Fundo Arena Itaquera S.A em uma conta aberta no Banco do Brasil. A operação, por sua vez, sofreu mudanças logo em seu início.


Com a premissa de que o estádio seria erguido para servir como sede paulista na Copa do Mundo FIFA 2014, todo o trâmite acabou transferido para o Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES), com intermediação da Caixa Econômica Federal.


O financiamento de elevados valores, vale destacar, foi autorizado pelo BNDES com “condições especiais” de juros por meio do ProCopa Arenas - plano aprovado excepcionalmente para viabilizar o Brasil como organizador da competição pela primeira vez desde 1950.


Além do BNDES e da Caixa, a Odebrecht (hoje Novonor) - envolvida em inúmeros escândalos de propinas, segundo o Ministério Público Federal - foi eleita como protagonista. A empreiteira não aliviou seu cachê, apresentando um orçamento de R$ 985 milhões para concluir as obras em tempo da estreia da Seleção Brasileira no mundial de futebol contra a Croácia em 12 de junho de 2014.


Outro detalhe sobre a operação financeira é que ela seria concluída com uma "pequena grande ajuda" dos pagadores de impostos e seus recursos depositados na Caixa Econômica, além do dinheiro proveniente da venda dos CIDs - Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento (CIDs).

Em periclitante crise financeira marcada pelo acúmulo de dívidas trabalhistas e outros débitos (entre eles, pendências de compra de jogadores), o Corinthians voltou a se reunir com a Caixa Econômica no inverno do ano passado para rever os termos do acordo formalizado 8 anos atrás.


Segundo o que foi divulgado pelo próprio clube em 25 de julho de 2022, a partir do novo acerto os juros referentes a uma dívida corrigida em R$ 611 milhões deveriam voltar a ser quitados até o fim de 2023. com o início da amortização das parcelas referentes ao valor básico a Neo Química Arena a partir de 2025.


Outra novidade referente à renovação do acordo a Caixa Econômica Federal previa a transferência do pagamento dos chamados naming rights exclusivamente para a quitação dos débitos


Assim como no mais recente capítulo da saga Corinthians - governo federal, o anúncio da entrada de recursos financeiros por meio dos naming.

Lula: o homem por trás do acordo?


Lula em 2013 ao lado de Andrés Sanchez no canteiro de obras do estádio


Com direito a mais um déjà vu, os torcedores do Corinthians foram pegos de surpresa na última sexta-feira (17), com o anúncio de uma nova proposta - apresentada como “definitiva” - para quitar as dívidas referentes à Neo Química Arena.


Assim como ocorrera com os naming rights, o acordo foi apresentado à Caixa Econômica Federal a menos de uma semana da disputa pela presidência do clube entre o canditado da situação André Luiz de Oliveira contra o opositor Augusto Melo - até o momento, favorito disparado para vencer nas urnas em 25/11.


Antes de divulgar sua carta de intenções, entretanto, um inusitado (ainda que aguardado) encontro entre o atual presidente corintiano Duílio Monteiro Alves e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), trouxe de volta à memória do pagador de impostos todo a saga da Operação Lava Jato, que culminaria com a intervenção do STF, com direito à suspensão de condenações do petista por corrupção e lavagem de dinheiro.


Escândalos do passado à parte, a proposta corintiana para quitar seus débitos com a Caixa inclui a oferta do pagamento de precatórios ao banco (dívidas públicas já julgadas) em troca de uma amortização na dívida, que levaria o clube a economizar de forma significativa em comparação ao acordo anterior.


Menos de 48 horas após a entrega formal da proposta, o recém-nomeado presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, foi a São Paulo se reunir com Duílio Monteiro Alves para apresentar seu parecer sobre a oferta alvinegra.


Informações que circulam pelos bastidores indicam que faltam poucos detalhes a serem acertados entre as partes para a Caixa bater o martelo - embora o Tribunal de Contas da União (TCU) ainda tenha de dar a palavra final.


“Obrigado, presidente Carlos Vieira, por sua visita à Neo Química Arena. Muito honrado por ter a Caixa na Casa do Povo. Vai Corinthians!”, escreveu o presidente do clube nas redes sociais.

A questão que ainda paira no ar é simples de ser feita, mas complicada de ser respondida. Caso fechado, o acordo também seria positivo para o cidadão brasileiro, já comprometido com o pagamento das contas de um governo federal que jamais pensou em contar seus gastos?


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