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Campos Neto diz que politização do Copom traz preocupação a diretores do BC

Neto mostra ainda insatisfação quanto à personalização das queixas presidenciais e a considera prejudicial

Reclamações públicas realizadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o Banco Central, suas políticas quanto às taxas de juros e também contra o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, têm se tornado cada vez mais comuns, entretanto, parecem estar chegando a um nível claramente incômodo para funcionários e principalmente para a alta cúpula do Bacen.


Em declaração feita nesta quarta-feira (5), Campos Neto mostrou forte insatisfação com acusações de parcialidade e de supostas decisões políticas apontadas pelo chefe do Executivo contra o Copom (Comitê de Política Monetária), e acusou a prática como uma tentativa de politização do processo decisório do Comitê, fato que segundo ele, deixa os diretores da autarquia “bem preocupados”.


As declarações foram realizadas do evento do Bradesco BBI, e reforçaram a visão de que o processo decisório do Copom é “totalmente técnico”, tendo em vista o comprometimento pessoal dos diretores que têm como preocupação central desempenhar uma capacidade efetivamente técnica para a função.


Ao defender a sua autonomia e do corpo de diretores em manifestarem publicamente suas percepções sobre a economia, Campos declarou: “A tentativa de politizar um processo que é totalmente técnico, isso é uma coisa que deixa os funcionários da casa e os diretores de uma forma geral bem preocupados”, e em seguida enfatizou o comprometimento individual dos gestores: “Tem milhares de pessoas, diretores da casa, que sabem que passam a noite rodando modelos, fazendo toda a parte de estimativa, de projeção… Não tem nada na decisão que é política, é sempre técnica”.


A seguir, o presidente do BC deixou claro seu posicionamento de insatisfação com a forma com a qual o Poder Executivo tem direcionado temas tão relevantes para a economia e criticou diretamente a personalização dos supostos problemas alegados pelo presidente: “Personalizar em uma pessoa é muito ruim, isso tem acontecido mais recentemente e eu acho ruim… e buscamos espelhar sempre no comunicado exatamente aquilo que foi discutido”.


Campos Neto ainda ressaltou que reconhece o esforço do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na tentativa de reduzir os riscos fiscais do país por meio do novo arcabouço fiscal, entretanto enfatiza que não existe uma relação mecânica entre a melhora fiscal e a redução das taxas de juros.


Ao ser arguido sobre as perspectivas para o setor bancário, mediante as recentes crises do setor nos EUA e na Europa, Campos Neto declarou que os efeitos serão mais diretamente sentidos por meio da redução de crédito nos países com economias mais desenvolvidas e que o sistema brasileiro tem maiores salvaguardas que desviam uma contaminação do setor. Para ele, as maiores preocupações internas do Banco Central giram em torno do setor de pessoa física quanto a produtos mais emergenciais como o cartão de crédito.


FONTE/CRÉDITOS: Rumo Econômico com informações do InfoMoney

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