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Briefing de Gaza, 4º dia, 10 de outubro de 2023


Passados os primeiros dias do conflito na fronteira entre Israel e Gaza, analistas de inteligência de todo o mundo ainda se perguntam o que de fato aconteceu com o Mossad, o serviço de inteligência israelense, que não detectou a movimentação atípica nas cercas e barreiras que protegem a população israelense de ataques terroristas. O uso inédito de paragliders para inflitração por sobre as barreiras de proteção também chamou atenção. Em seu podcast, a jornalista israelense Efrat Fenigson afirmou, com base em sua experiência, de quando serviu na inteligência do exército há 25 anos, que “não há possibilidade que Israel não soubesse o que estava por vir. Um gato se movendo ao longo da cerca dispararia todos os gatilhos”.


No front interno político, a oposição cobra do Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu a responsabilidade pelo resultado trágico dos ataques do Hamas e o jornal Haaretz estampou um pedido de renúncia em suas redes sociais. Seja qual for a situação, Netanyahu não tem outra opção a não ser deflagar a operação terrestre e concentra, agora, aproximadamente 300 mil soldados na fronteira com Gaza, por mais complexo que seja combater em uma área com dois milhões de civis e mais de 50 reféns espalhados locais desconhecidos.


Os ataques aéreos tem colocado abaixo vários prédios apontados pelas Forças de Defesa de Israel como instalações do Hamas, a energia elétrica e a água foram cortadas e as fronteiras estão cercadas. O Ministro da Saúde de Gaza informou pelo menos 770 mortos na terça, 10 de outubro. Sob sítio e sob pressão, o número de palestinos que se juntará ao braço armado do Hamas para o combate deve ser expressivo e, além dos milhares de foguetes que foram lançados sobre Israel desde sábado, algum outro tipo armamento leve deve também ter sido contrabandeado em grande quantidade para a região. A tecnologia do exército regular e das forças especiais israelenses, com o uso de equipamentos de visão noturna e de leitura térmica, contudo, dará superioridade absoluta aos israelenses nos combates urbanos que devem acontecer em grande número no período noturno.


Os Estados Unidos deslocaram para a região o porta-aviões Gerald Ford, o maior da frota americana. A manobra visa dissuadir os países vizinhos de lançar algum ataque simultâneo contra Israel em apoio aos palestinos. Durante o dia, helicópteros de ataque da Força Aérea Israelense atacaram postos do Hezbollah que dispararam contra a região de Avivim, próximo à Linha Azul 2000 da ONU que separa Israel do Líbano e fontes militares afirmaram que foguetes foram disparados da Síria em direção a Israel.


No exterior, a batalha de opiniões está instalada nas ruas, nas redes sociais e nas universidades, com destaque para Harvard onde um comunicado conjunto dos mais de vinte grupos de solidariedade palestina , que inclui tanto uma Harvard Islamic Society quanto uma Harvard Jews for Liberation, responsabilizou Israel por toda a violência ocorrida, classificando a situação em Gaza como um regime de Apartheid. Por conta da manifestação, o CEO de uma fundação de apoio universitário suscitou um chamado ao mercado pela não contração de qualquer dos signatários do documento.


Créditos: defconbr.net/Carlos Kwasinski

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