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Amazônia: o "presente de casamento" de Lula a Emmanuel Macron

Atualizado: 29 de mar.

Após anunciar "investimento" no Brasil, o presidente francês voltou a sorrir com a possibilidade de explorar as riquezas da Amazônia


Agência Brasil/EBC


Nessa quarta-feira (27), o presidente da França, Emmanuel Macron, assinou um compromisso de parceria com o governo Brasileiro para levantar o equivalente a R$ 5,4 bilhões a serem empregados em projetos de bioeconomia na Amazônia nos próximos quatro anos. Os investimentos não terão o território nacional como destino exclusivo, e incluem a parte da floresta localizada na Guiana Francesa.


O encontro entre Lula e Macron - que, em dado momento, foi confundido com o ex-presidente Nicolas Sarkozy pelo brasileiro - recebeu tratamento de gala na mídia. A visita a uma comunidade indígena na Ilha de Combu, próximo a cidade de Belém, no Pará, teve direito a uma sessão de fotos especial, onde Macron e Lula passeiam de mãos dadas e aparentam explorar a mata selvagem.


Exploração de recursos naturais


Embora Macron e Lula tenham trocado elogios através dos anos, o acordo bilateral é envolto por dúvidas em relação às reais vantagens que o Brasil teria com a captação de recursos internacionais. Ao contrário da informação que circula pelas redes, Macron não sacará das reservas de seu país a verba necessária para “geração de riquezas” da Amazônia.


Os euros prometidos pelo francês, de fato, seriam captados através de empréstimos concedidos pela Agência Francesa de Desenvolvimento e bancos de fomento brasileiros, como BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e Banco do Brasil.


Já em relação ao volume de capital, embora chame a atenção à primeira vista, os R$ 5,4 bilhões não são páreo para a última leva de emendas parlamentares liberadas por Lula. Em fevereiro deste ano, o petista aprovou o aporte de R$ 20,5 bilhões em emendas solicitadas por Arthur Lira (PP-AL).


As ações lucrativas para os países também não estão claras. Segundo o Portal da Indústria, bioeconomia é a ciência que “estuda os sistemas biológicos e recursos naturais aliados a utilização de novas tecnologias com  propósitos de criar produtos e serviços mais sustentáveis”. Em suma, é uma forma politicamente correta de descrever a exploração de riquezas naturais “de forma sustentável” - uma expressão mágica para os signatários da Agenda 2030 das Nações Unidas (ONU).


Declarações polêmicas 




O “bromance” entre Lula e Macron foi o grande destaque dos canais jornalísticos desta quarta-feira. Contudo, Brasil e França nunca estiveram tão desalinhados nos âmbitos da política externa e economia.


Em janeiro de 2021, por exemplo, Emmanuel Macron atacou os produtores de soja do Brasil, demonstrando ignorância sobre as regras de preservação impostas por órgãos como o Ibama.


"Depender da soja brasileira é endossar o desmatamento da Amazônia', atacou Macron, mirando diretamente o governo Bolsonaro.


O presidente francês também é o maior crítico do acordo econômico entre a União Europeia e o Mercosul. Através dos anos, Macron tem feito pesada campanha para que o bloco europeu desista da parceria. A situação se agravou após a onda de protestos dos agricultores pelo Velho Continente. 


Em sua volta ao Brasil, Emmanuel Macron ratificou sua oposição ao acordo. Durante participação no Fórum Econômico Brasil-França, em São Paulo, logo após a passagem por Belém, o líder francês disse que o projeto ficou datado.


“É um péssimo acordo porque foi negociado há 20 anos”, destacou Macron.


Lula abre seu coração - e a Amazônia


"Bromance" - Agência Brasil/EBC


O vasto território amazônico - cerca de 6.700.000 km² - é preenchido por uma biodiversidade incomparável. As riquezas ecológicas, entretanto, são apenas parte de sua incontável reserva de recursos. O território inexplorado - e protegido e preservado pela burocracia nacional e ONGs internacionais - abriga minério de ferro, alumínio, cobre, ouro, manganês, estanho e nióbio - este último, um item exclusivo do território brasileiro.


Ciente do potencial brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva disse as palavras que Macron queria ouvir. Apesar de ser um rival declarado do avanço econômico brasileiro, o francês abriu um sorriso após o discurso do petista na capital do Pará.


“Não queremos transformar a Amazônia no ‘santuário da humanidade’. Queremos compartilhar com o mundo a exploração e a pesquisa da biodiversidade, e que os indígenas possam participar de tudo que é usufruído das terras que eles moram”, afirmou Lula.


Hipocrisia contra o agro


Agência Brasil/EBC


A visita oficial do presidente francês coincidiu com uma notícia que alarmou principalmente a bancada do agro no Congresso Nacional. Nesta semana, a Comissão Europeia anunciou uma série de regras para flexibilizar o uso das terras para cultivo agrícola. A medida foi tida como resultado da pressão dos tratoraços organizados por fazendeiros eurpeus desde o final de 2023.


A  senadora - e ex-ministra da agricultura e pecuária - Teresa Cristina reagiu imediatamente ao comunicado.


“A Comissão Europeia eliminou ontem a obrigatoriedade de os agricultores deixarem pelo menos 4% de suas terras em pousio ou preservadas”, apontou Teresa Cristina. “Esta é a mesma UE que não reconhece o Código Florestal brasileiro, que exige preservação de 20% a 80% das propriedades rurais e quer impor às nossas exportações regras próprias antidesmatamento”, protestou.


Teresa Cristina ainda reservou o melhor para o final. Em meio às festividades que cercaram a renovação de votos entre Macron e Lula,  a possibilidade de adesão da França ao acordo com o Mercosul não fez parte da reunião bilateral. Em suma, mais um mimo brasileiro concedido ao seu parceiro francês.


“O presidente da França, maior defensor dessa hipocrisia europeia e militante ferrenho contra o Acordo Mercosul - UE, está hoje no Brasil. E, segundo as notícias oficiais, esse assunto, o mais importante, simplesmente não estará na pauta do encontro entre Macron e Lula”, revelou.

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