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A aliança AUKUS

Uma mudança sem precedentes em geopolítica

Desde seu anúncio em setembro de 2021, a aliança AUKUS tem dominado as manchetes internacionais de Defesa. O novo pacto de defesa anunciado por Austrália, Reino Unido e Estados Unidos, que inclui o compartilhamento de tecnologia para submarinos movidos a energia nuclear foi recebida com elogios e críticas de diferentes países do mundo, destacando as complexas implicações geopolíticas desta nova aliança.


A aliança AUKUS representa uma mudança significativa no equilíbrio do poder na região Indo-Pacífico. A reunião dos recursos tecnológicos e militares dos três países os tornam mais bem equipados para contrabalançar a crescente influência da China, particularmente no Mar do Sul da China. A aliança denota igualmente o empenho dos EUA em manter uma forte presença militar na região consignando a China como seu principal oponente estratégico.


O anúncio da aliança foi recebido com duras críticas da China, que vê a aliança como um movimento provocador que desencadearia uma nova guerra fria, desestabilizando a região em vez de equilibrá-la.


A França, um aliado antigo dos três países, protestou veementemente, chegando a convocar seus embaixadores na Austrália e nos Estados Unidos para esclarecimentos e o Ministro de Relações Exteriores francês, Jean-Yves Le Drian, classificou o anúncio como uma facada pelas costas. O prejuízo francês de 56 bilhões de euros, por enquanto, parece ter se confirmado, embora a aliança AUKUS, que monta em 368 bilhões de dólares, inclua também compromissos de cooperação numa série de outras questões de defesa e segurança que poderiam interessar à França, tais como ameaças cibernéticas, tecnologias quânticas, capacidades submarinas, guerra eletrônica e compartilhamento de informações. Além disso, a aliança tem também uma forte componente econômica, com o Reino Unido e a Austrália anunciando planos para aprofundar os seus laços econômicos.


Apesar dos potenciais benefícios da aliança, existem também preocupações sobre as implicações do compartilhamento de tecnologia nuclear com a Austrália, um estado não nuclear. A iniciativa desencadeou debates sobre a proliferação de armas nucleares e o potencial para uma corrida armamentista na região. Os dois primeiros submarinos adquiridos pela Austrália, entretanto, seriam da classe “Virgínia”, cuja característica é a propulsão nuclear com armamento convencional não se enquadrariam, estrito senso, em um aumento de armas nucleares.


A Nova Zelândia, que não faz parte da aliança AUKUS, mas faz parte da iniciativa Five Eyes, de compartilhamento de inteligência com Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e Canadá, manifestou interesse em aderir à componente não-nuclear do pacto, o que pode complicar ainda mais o cenário geopolítico na região. Da mesma forma, o site Intelligence online também publicou a intenção do Japão de aderir à aliança.


A AUKUS representa uma mudança relevante na geopolítica da região do Indo-Pacífico, com implicações significativas para a segurança regional e global. Para o Comandante Leonardo Mattos, editor do canal Conexão Geo, é a primeira vez que os Estados Unidos abrem mão de determinadas tecnologias sensíveis, cedendo-as para seus parceiros: “Uma primeira questão é se a indústria de defesa dos Estados Unidos vai conseguir fornecer esses submarinos sem enfraquecer a força de submarinos dos Estados Unidos”. Fica o questionamento, completou o Comandante Leonardo Mattos, se o Brasil conseguirá colocar no mar, antes dos australianos, o nosso submarino de propulsão nuclear, que já tem nome – o “Álvaro Alberto”, um projeto importantíssimo para um país com uma Amazônia Azul de nossas dimensões e que deve pensar em projetos de longo prazo, para 2030, 2040, pois não se constrói uma Marinha no curto prazo.


FONTE/CRÉDITOS: DefconBR

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